Cidade Morena é um apelido carinhoso para a cidade de Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul. Pudera…é sempre muiiito quente e na sombra! Foi justamente para fugir do calor que fomos para um passeio rápido num templo das ervas.
Como acontece em todas as cidades, o Mercado Municipal Antonio Valente de Campo Grande também é conhecido como Mercadão, mas sinceramente poderia se chamar mercado das ervas, já que este é o artigo que a maioria das bancas vende. É uma construção dos anos 50 que fica bem no centro velho da cidade, tem lá seu charme e é tudo muito limpinho.
Engraçado é a mistura: a maioria dos comerciantes é japonês, seguidos de portugueses e paraguaios. E atravessando a rua, tem a a feirinha indígena com mais tipos diferentes.
No mercadão encontra-se um pouquinho de tudo, mas o forte são os artigos regionais: ervas, farinhas diferenciadas, mates, chapéus, artigos de montaria, ração animal, carne de sol etc. As pimentas e os subprodutos do Pequi também estão lá em quantidade.
E não é que a gente encontrou até farinha de berinjela?
Cordão São Francisco (Leonotis nepetaefolia, usada como remédio caseiro contra asma, cicatrização, desconforto gástico etc.), sabugueiro (sambacus australis - o guardião da saúde), cabelo de anjo (Adiantum capillus-veneris L. - é a tradicional avenca que, além de propriedades medicinais, oferece suas folhas para serem usadas como tempero na cozinha) etc. Tinha inclusive a mal falada “buchinha”acreditada popularmente por uma suposta ação abortiva. Mas atenção, o Madame Aubergine adverte: com ervas medicinais e com a saúde não se brinca.
Pitoresco é ir experimentando as “gulodices”de banca em banca. Muito tradicional é a geléia de mocotó, que continua sendo vendida aos nacos, com o mesmo modo de preparo de nossos avós: ferve-se muito o mocotó, extraindo um tipo de colágeno, que é acrescido de açúcar e um pouquinho de canela. Daí é só apurar. É gostosa, bem diferente das industrializadas!
Tem também os infinitos doces da nossa infância como o quebra-queixo (doce de coco mais duro), puxa-puxa, doce de leite, pé de moleque, tudo caseiro, vendidos aos pedaços, embrulhadinhos em papel de feira. Muito saudosista… Outra coisa legal que tem lá é a mistura das nacionalidades. Graças a ela, conheci a “sopa paraguaia” que de sopa não tem nada. Na verdade parece um cuscus de milho, com cebola e ovos, muito gostosa, que é vendida como “salgado”nas lanchonetes.
Uma pedida imperdível é o suco de guaraná natural com chipa, meio da família do biscoito de polvilho.
Foto: blog Interior
E no quiosque indígena bem em frente tem muitos ingredientes típicos como o palmito de bacuri, um coqueiro do cerrado, que a gente come só a “cabeça”. E a guariroba, muito apreciada como “receita de domingo” (em Tupi = indíviduo amargo. Bom esse apelido, né?),.
Importante: se você quiser fotografar, não pergunte. As índias serão até ríspidas com você, porque segundo os costumes da Tribo Terena, fotografia dá azar. É bonito ver o manejo delas com um facão afiado descascando palmitos bacuri, gariroba...
Claro que tem também a mandioca, milho, feijão verde, pimentas, guavira, pequi e mais ervas. E os artesanatos no mercadão são mais baratos que nos lugares mais turísticos.
As miniaturas de sapo, paca, cateto, javali foram minhas comprinhas. Um kitch necessário, além do chapéu pantaneiro, rsrsr. Enfim, neste Brasil, tudo vale a pena conhecer!

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