Aconteceu no último final de semana, em Pirenópolis, o primeiro Slow Film Festival, sob a curadoria de Sérgio Moriconi, apresentando os melhores registros na telona dos preceitos do Movimento Slow Food.
Fiquei impressionada com a beleza da cidade, um "filme" a parte. Difícil também escapar da tentação do empadão goiano, um "must" local.
A cidade tem muita gente engajada em associações, ONGs artesanatos e afins.Veja que máximo essas sacolinhas e esse papel sulfite feito com cana de açúcar...mas é argentino!
Mas a verdade é que em um ambiente muito simples, o Cine Pirineus, a gente viu e sentiu muita emoção. Entre longas e curtas, fazendo valer minha origem portuguesa, meu filme preferido foi o "Ainda Há Pastores", de Jorge Pelicano, que conta a realidade da Serra da Estrela, famosa por seu queijo incomparável. Lá, vimos um retrato da população agrícola envelhecendo ou até mesmo desaparecendo e do exôdo dos jovens, o que põe em risco a continuidade da tradição, da cultura e das iguarias da serra.
Mas outros filmes nos deixaram muito inspirados e comovidos, como "Terra Madre" e "Um Dos Últimos" (Itália), "Oração" (Hungria) e "Vinho de Chinelos" (Brasil).Na crítica pesada aos grandes produtores mundiais de vinho," Mondovino" (Argentina, França, Itália e USA) nos deu um panorama na dificuldade encontrada hoje pelos pequenos produtores e seus vinhedos. Na contramão, com muito bom humor, "A Revolução das Bocas" (USA) é uma animação bizarra de bocas se rebelando contra o Fast Food.
Além dos filmes, a programação incluiu "excursões slow food" pelos produtores da região. Visitamos a produção de leite orgânico de Kátia e Leo, que nos ensinaram técnicas primitivas e ainda muito eficientes na criação de gado leiteiro e ousadias do tipo tratamento homeopático dos animais. E olha que as vaquinhas deles eram as mais gordinhas da região. Experimentamos o leite e o creme de leite.
I-NA-CRE-DI-TÁ-VEL o sabor.
Também visitamos uma propriedade pequena para entender o sistema da Permacultura, que visa um estilo de agricultura e vida mais sustentável em toda a cadeia: natureza, manejos, animais, homens e comunidade. Lá experimentamos frutas do pé fresquinhas e para lá de cheirosas: caju, carambola, cajá... Imagine o jambo mais cheiroso que você já viu? Está nesta gamela.
De passagem, visitamos a Fazenda Babilônia, onde a D. Telma cultiva com muita cultura a gastronomia típica do cerrado, oferecendo amostras da riqueza do local num café colonial gigante! Como expert do lugar, ela até deu consultoria para a equipe da novela Araguaia, que estreia na Globo.
Em meio ao calorão escaldante de 35graus, sorvetes superdiferentes!!!!
Também conhecemos a Fortaleza Caxambu, nome dado pelo Movimento Slow Food aos produtores de alimentos "tombados" por ele. Além da família do Sr. Bié, que vive da cata e venda do Baru, existem mais duas fortalezas que vivem desta atividade: Bom Jesus e Santo Antonio. É uma forma de sustento que já conquistou 3 gerações: D. Albertina, a neta Yasmin e a Filha Edna que, juntamente com sua irmã, Erika, são ativistas do movimento e já estão se preparando para ir para Turim, agora em outubro, onde acontecerá mais uma edição do evento Terra Madre.
O Baru (Dipterys alata Vox) é uma castanha local muito deliciosa e, quando torrada, muito próximo do amendoim
A castanha do baru é usada em toda a região pelos restaurantes locais. Pode ser consumida torradinha como aperitivo, como recheio de tortas doces e salgadas, crostas em carnes e peixes, sorvete e também sob a forma de óleo para uso alimentar e fins terapêuticos. Aqui, Murielle Dargaud, francesa da Provence e Chef Slow Food, nos preparou um escondidinho de aipim acompanhado de galinha d' Angola e almôndegas de feijão azuki, polvilhadas com baru.
Nas épocas boas, as famílias chegam a colher milhares de kilos da castanha que vão para diversos estados.
Enfim, foi a maior lição desta revolução sobre um novo modo de comer e viver. Toda tiéte, convido você a conhecer essa jóia no meio do cerrado, com o mascote da cidade, o mascarado, que é um tipo de bobo da corte durante as tradicionais Cavalhadas, que acontecem no mês de junho, durante as festividades do Divino. Eu voltarei!
Saiba mais:
Sobre o movimento:
http://www.slowfoodbrasil.com/
Sobre o evento:
http://www.slowfilme.com.br
Sobre a fazendababilônia
http://www.fazendababilonia.tur.br/
Assista ao impagável Hermínio, um dos últimos jovens pastores:
http://aindahapastores.blogspot.com/

Bela reportagem, Mme!
Também sigo tietando essa galera que nos mostra que é possível ser sustentável, saudável, bom e bonito. E divertido!
Foi um prazer conhecê-la. Um abraço,
Luciana Ferreira
Posted by: Luferreira2006 | 09/22/2010 at 01:00 PM