Viajar por aí em busca do sal está virando uma mania deliciosa. Desta vez, visitamos a Salina de Maras, que fica no incrível Vale Sagrado, a 40 Km de Cuzco. É uma boa opção de estadia para quem sofre do mal da altitude. E posso assegurar: Maras é a mais intrigante de todas até agora. Isso porque, assim como acontece na Colômbia, Maras fica no meio de uma montanha muito alta, numa altitude improvável que também não ajuda muito o fluxo normal da natureza.
Mas...contra tudo e todos, lá está ela, água corrente e salgada, brotando do nada, através de um olho d`água conhecido como Qoripujio.
Muito mágico e é explorada com o mesmo método ancestral desde o período dos Incas. Enfim, mais um conhecimento adquirido por essa impressionante civilização.
Da nascente a água vai sendo represada em pequenos quadrados de sal que formam uma colcha de retalhos branca em meio a montanha.
O reflexo da luz é tão intenso que tem horas no meio do dia que fica difícil andar por lá. Só mesmo os quechuás e sua saga de sobrevivência para viver e trabalhar aí de sol a sol.
Basicamente, a água salgada é represada até que vai evaporando e daí se formam os pequenos montinhos de cristais de sal. Regularmente eles são revirados e lavados e permanecem secando ao sol até o ponto correto da coleta.
Tudo isso acontece de uma maneira muito rústica, com a ajuda de bacias e enxadas. Mas o sal é assim...uma rusticidade necessária na cozinha.
Ao contrário das salinas que visitamos perto do mar, os diques não são de coloração rosa, porque o pequeno molusco responsável pelo tingimento da água não existe em Maras. O sal pode ser acinzentado, cor de mel, rosado até chegar ao branco.
Na entrada da salina, onde graças a Deus está tudo bem organizadinho e controlado, existem quiosques bem típicos que vendem "esculturas" de sal, sal para banhos com ervas e claro, pacotinhos convidativos de sal. Tudo muito ingênio, bonito.
Trouxemos alguns na bagagem. Eles são muito pronunciados e fortes. Hay que usar com cariño. Salgam mucho!

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